O V Seminário de Inteligência Artificial Aplicada à Indústria do Petróleo, organizado pela ABGP, reuniu mais de 130 participantes nos dias 02 e 03 de dezembro, no Auditório da PUC-Rio, para debater as aplicações atuais e as perspectivas futuras da IA no setor de Óleo e Gás. O Seminário foi constituído por vinte e duas apresentações técnicas e dois Painéis: um sobre aplicações da IA na indústria do petróleo e o outro sobre o futuro da IA na indústria do petróleo.
O evento contou com o patrocínio da Petrobras (Master), da SLB (Prata) e da Eneva (Bronze), além do apoio institucional do Instituto ECOA PUC-Rio. A programação reuniu representantes de empresas de petróleo, prestadoras de serviços, órgãos governamentais e instituições acadêmicas, promovendo um ambiente propício à troca de experiências, à disseminação de conhecimento e à discussão de soluções inovadoras para os desafios da indústria.
A cerimônia de abertura do evento foi realizada pelo presidente da ABGP, Dr. Frederico Miranda, do Prof. Marcelo Gattass, vice-presidente de inovação da PUC-Rio e da Diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Dra. Sylvia Anjos.
A Diretora Sylvia abordou em sua fala os enormes avanços da IA na indústria de Óleo e Gás, em especial, na Petrobras. Desde o primeiro seminário de IA da ABGP, sempre houve a intenção de se discutir maneiras de como a IA pode agregar valor ao segmento de E&P, permitindo uma maior integração das áreas de superfície (topside), subsea (dutos e equipamentos submarinos) e subsuperfície (poços e reservatórios). Alguns dos avanços destacados pela diretora foram o uso das Tecnologias de Robótica, Visualização e IA na gestão da integridade e manutenção do topside das unidades de produção e refinarias. Outro aspecto relevante mencionado, foi na área de logística, onde a otimização de operação dos barcos de apoio das plataformas produziu uma redução significativa de custos por plataforma. Por fim, foi sinalizada a importância da contribuição da IA nas operações remotas offshore e também na segurança da informação na proteção de dados
A palestra de abertura foi ministrada pelo CIO Global da Petrobras, Cassiano Hebert, que falou sobre o papel da IA no enfrentamento dos principais desafios da área de Tecnologia da Informação e Telecomunicações na indústria de Óleo e Gás. Na Petrobras os pilares estabelecidos para o avanço do uso efetivo da IA são a Governança de IA, a Democratização de dados e o desenvolvimento de diversos projetos e iniciativas de AI nas áreas de negócio da cia.
Dando seguimento à primeira sessão da manhã, tivemos as palestras do Marcelo Castilho, Superintendente da ANP, e do Pavel Dimitrov, Solutions Architect Manager, LATAM da NVIDIA. A palestra do Marcelo apresentou um histórico dos 25 anos de existência do BDEP (Banco de dados de E&P) desde a sua criação até os dias de hoje. O acervo técnico do BDEP é constituído por dados e informações sobre as bacias sedimentares brasileiras e é considerado um elemento importante na geração de conhecimento e de valor para a Indústria de Óleo e Gás, a academia e o país.
A palestra da NVIDIA apresentou a sua visão de futuro sobre a aplicação da IA na indústria de Óleo e Gás, em especial, no imageamento de dados de subsuperfície. Pavel comentou o caminho que a IA vem percorrendo ao longo dos últimos anos desde a IA perceptiva, passando pela IA gerativa (ou generativa) e a atual revolução proporcionada pela IA agêntica. Nessa área de agentes a NVIDIA disponibiliza diversas plataformas para o desenvolvimento de aplicações de IA generativa personalizada, como o NeMO, que disponibiliza grandes modelos de linguagem (LLMs), modelos de linguagem de visão (VLMs) e modelos de recuperação de informações gerativa (RAGs) numa plataforma integrada.
Fechado a manhã do primeiro dia, recebemos para um debate líderes da indústria e da academia que compartilharam suas visões sobre a IA na Indústria do Petróleo.
A Sessão 2 foi constituída por aplicações avançadas de IA na indústria de O&G, com destaque para o Ativo 360 (Petrobras), um gêmeo digital que integra visualização 3D, visão computacional e IA para gestão de integridade e manutenção de ativos em larga escala. A Eneva apresentou como a IA transforma a produção de petróleo e gás ao permitir monitoramento em tempo real, detecção de anomalias e manutenção preditiva, com resultados práticos no Projeto Azulão 950 na Bacia do Amazonas.
A Halliburton apresentou o DrillMiner, solução baseada em IA generativa que simplifica a análise de dados de perfuração por meio de consultas em linguagem natural, acelerando decisões e reduzindo custos. A Siemens destacou o uso de IA e plataformas Low-Code para acelerar a transformação digital, democratizar o acesso à IA e integrar dados ao longo do ciclo de vida industrial. Em conjunto, as palestras evidenciaram a IA como fator-chave para eficiência operacional, otimização de ativos e geração de valor sustentável no setor de petróleo e gás.
A Sessão 3 iniciou-se com a Petrobras destacando a Indústria 5.0 como um modelo global focado em sustentabilidade, redução de resíduos e produção centrada no ser humano, com colaboração entre pessoas e tecnologias avançadas como IA e gêmeos digitais. Diferentemente da Indústria 4.0, prioriza manufatura personalizada e eficiente. Abordou-se o papel estratégico dos geocientistas na transição energética, incluindo CCUS, geotermia e hidrogênio. A Petrobras foi citada por seus investimentos em diversificação energética e fontes renováveis. A Accenture falou da Inteligência Artificial na Reinvenção da Indústria do Petróleo apresentando casos de sucesso e Perspectivas Futuras. Já a Bluware apresentou a aplicação de aprendizado profundo para mapear diques de dolerito em dados sísmicos 2D esparsos da Bacia do Parnaíba, reduzindo a complexidade da interpretação manual. A metodologia baseada em modelos E-NET gerou volumes de probabilidade com alta precisão, mesmo em dados ruidosos. Os resultados demonstram redução de riscos exploratórios, escalabilidade e maior confiabilidade na conversão em profundidade e no planejamento de poços.
Na Sessão 4, a equipe do GeoGPT destacou o GeoGPT e o OneEarth como iniciativas abertas e confiáveis que aplicam IA multimodal às geociências, integrando dados, visualização e raciocínio para apoiar a pesquisa. Essas abordagens permitem compreender melhor os processos complexos da Terra, promovendo colaboração global, inovação científica e uso ético da IA; A SLB destacou que o sucesso da IA depende da integração entre pessoas, tecnologia e governança, com foco em capacitação, adoção operacional e medição de impacto. Foram apresentados casos práticos em geociências, reforçando o compromisso da empresa em democratizar a IA e impulsionar eficiência e crescimento sustentável no setor. A Petrobras reforçou que a prontidão de dados é essencial para escalar a IA, exigindo governança robusta, integração de fontes diversas e colaboração entre negócios e TI. A plataforma AIDA viabiliza essa escala ao democratizar o acesso aos dados, automatizar processos e integrar governança, autoatendimento e MLOps em uma arquitetura padronizada.
Na sessão 5, A Petrobras abordou o Modelo Triádico, apresentando um modelo integrado de interfaces para aplicar IA nas geociências, unificando dados, consultas e visualização.
Plataformas e agentes de IA aceleram decisões, reduzem custos e aumentam a reutilização de soluções. A PUC-Behring destacou os sistemas de IA governáveis para apoiar decisões complexas com menor viés e maior confiabilidade. Frameworks e grafos de conhecimento garantem transparência, rastreabilidade e decisões responsáveis. O ECOA PUC-Rio mostrou como a pesquisa acadêmica gera soluções práticas para O&G por meio de IA, dados e gêmeos digitais.Patentes, parcerias e formação de talentos posicionam o ECOA como polo de inovação no setor.
Na sessão 6, a Eneva mostrou produtividade concreta ao destravar conhecimento em documentos, utilizando IA Generativa. Microsoft e AWS apontaram o caminho de agentes e escala; a USP lembrou que validação é obrigatória onde o risco é físico; e o painel fechou com o eixo que costura tudo, são pessoas, reskilling e adaptação à nova forma de trabalhar em E&P.
O painel final foi importante porque consolidou a mensagem que ficou “por trás” de quase todas as apresentações: o desafio da IA no petróleo já não é provar que funciona é fazer funcionar em escala, com segurança e com gente preparada. A proposta do debate, inclusive, era explícita, fugir do hype e focar na “engenharia de valor”, com dinâmica sem slides, respostas diretas e espaço para visões diferentes se complementarem (ou discordarem) com respeito.
Encerramos o evento com uma mensagem menos confortável, porém mais útil, de que o futuro da IA no setor será decidido por quem conseguir alinhar dados prontos, infraestrutura/observabilidade, e uma agenda séria de reskilling que vire parte do trabalho, e não apenas um apêndice.
A IA está tornando método e rotina e isso exige mais pessoas prontas do que modelos brilhantes.
O evento mostrou a força crescente da utilização da IA na indústria do petróleo, e que a IA Generativa representa uma nova fase desta utilização.
Nossos agradecimentos ao comitê técnico, aos palestrantes, Chairs e participantes. E o agradecimento especial aos nossos patrocinadores.
Preparamos um resumo técnico do evento – clique aqui para ler. E o conteúdo completo do evento (gravação) será disponibilizado em breve na área exclusiva para associados da ABGP.
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